Chernobyl – 26 de Abril de 1986, Fukushima – 11 de Março de 2011

A AVE NOVA DE TCHERNOBYL

No olhar radiante da Ave Nova
vi a noite e a segunda aurora
de rasto fosforescente
e um canto nuclear de duas traqueias
Pousada numa ruína gerava energia
pela graça da proximidade
e irradiava uma luz impossível
com o seu reactor de penas prateadas

Ave duzentos e trinta e cinco
acumuladora de imprevisíveis
Ave sedutora de investigadores
como presas pela cabeça
Ave Super Nova a decair na estepe
fechada num sarcófago
para iluminar a face obscura da morte

Ave de Pandora, superlativa
e de uma leveza plutónica
Ave enterrada e vitrificada
que perfura a pele e a terra
e abre as rochas como membranas

Ave errática sobre a terra
que ficará para contar a história
Oráculo anunciador da fusão do Universo
com uma visão retroactiva do medo
Ave cisão, homófona de outra ave
inviável por natureza

Tiago Patrício, O Livro das Aves, Quasi, 2009

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