Segundo Semestre de 2014

Entrevista na Rádio Universitária do Minho – Livros com RUM

Apresentação: António Ferreira e Sérgio Xavier
Programa 377 – 2014-10-30
Esta semana voltamos a receber Tiago Patrício. Natural do Funchal, a sua infância foi vivida em Carviçais. Essa realidade está expressa no seu romance de estreia, ‘Trás-os-Montes’, com que venceu o Prémio Agustina Bessa-Luís, mas a sua obra abarca também o teatro, poesia e a literatura de viagens.

O seu romance mais recente é ‘Mil Novencentos e Setenta e Cinco’, editado este ano pela Gradiva.

Estragos do tempo – Jornal Público – Suplemento Ípsilon

Turismo de Guerra

 Praga Vertical

A mulher de Brno

Turismo de Guerra – Novo livro de poesia – Edições Artefacto, apresentação a 6 de Setembro às 18h na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul em Lisboa

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Suplemento Actual do Jornal Expresso, 06/09/2014

Poesia

Poesia

Ilustração da capa da autoria de Maria João Lopes Fernandes.

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Teatro Meridional, Sábado, 25 de Outubro, às 18h

Lançamento do livro resultante do Laboratório Dramatúrgico com as peças:
Parking (Jorge Palinhos) e Desmaterialização (Tiago Patrício)

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Novidades – Um novo romance e um poema antigo

 Mil Novecentos e Setenta e Cinco no suplemento Actual do Jornal Expresso – 13/09/2014
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No Suplemento Ípsilon do Público

Há revolução na aldeia

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Sinopse

Uma viagem improvável a uma aldeia imaginária do nordeste transmontano no ano de viragem de 1975, representada num romance por várias personagens que tentam recuperar formas de vida que estão a desaparecer, em contraste com um novo mundo que se impõe.

É um romance onde cabe tudo: amores tardios, mortes adiadas, fugas e regressos triunfais, infidelidades descobertas dentro de armários, alfaiates e coveiros desempregados, mulheres que lavam no ribeiro e rapazes que as espreitam, ferroviários, comerciantes e todos os deserdados e perseguidos que tentam subir as escadas dos antigos e dos novos proprietários.

Nesta viagem pelas longas paisagens transmontanas, entrecortadas por desvios súbitos e perigosos, tal como as antigas linhas de via estreita da região, o leitor é conduzido pela mão de personagens que insultam e provocam gargalhadas na mesma frase, com um humor contagiante, que varia entre a temperança e a exaltação.

Romance brilhante, de um vencedor do prémio Agustina Bessa-Luís, em que se reconhecem as palavras de Miguel Torga: “O universal é o local sem muros”.

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O Pelicano branco de Sevastopol
Rondou a península durante 40 anos
até a memória deixar o corpo vaguear
no luto branco e inconsciente
Planifica ainda sobre a maré negra
de um submarino rodeado
de zumbidos e nuvens de protões
e regurgita na garganta degenerada
por um antigo voo obsessivo

Hoje visita cidades fechadas
e sobrevive em Sevastopol
com a voz abafada de incontinência
Vai e vem de Yalta
mas não traz água nem pão
e no bico só algum estilhaço
ou pequenos relatórios infundados

in “O Livros das Aves”, 2009

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Novo livro de poesia – a memória das aves

Disponível por encomenda através de mensagem pelo blog ou pelo facebook (portes de envio incluídos), assim como os outros livros com edição de autor

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A evocação das Aves

Descrevo aves em lugares
onde nunca estive
e que vêm pousar
à minha mão

memória das aves

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os Pavões da Biblioteca Central de Lisboa

O homem que alimenta os pavões no jardim
do antigo Palácio das Galveias
tem um macho à perna de canto feroz
que debica os caixilhos na duplicação do reflexo
e assusta os leitores a dormitar à janela
do grande dormitório dos livros

O jardim repintado de rosa e verde
tem a protecção de altos muros
e cadeiras de ferro desalojadas
onde se sente o apelo suave das dinastias
ao longo da antiga propriedade

Mas a meio da tarde os pavões indignam-se
num grasnar imprevisível contra a república
e esvoaçam até à Avenida Homófona
para repousar nas varandas dos prédios
ou sobre os velhos candeeiros nos passeios

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O Conhecimento das Aves

Ave naturalista, aves nudista
Ave solar, musical, ave sexual
Ave angustiada, algébrica, indecisa
Ave inversa, ave interior
Ave Maria

Ave tecelã, ave marceneira
Ave felina, ave juvenil
Ave peninsular, estrelar, anelar
Ave inaugural, ave do pensamento

Ave lógica

Ave bissexta, ave multiplicada
Ave poedeira, caseira, quotidiana, crepuscular
Ave impaciente, ave interdita, dilacerada
Ave de palavra, ave inicial, ave flagrante
Ave ausente

gibraltar a ver ceuta

 

 

 

 

 

 

A Travessia das Aves

Possa eu escrever-te antes de chegar
a Lampedusa
depois de sobreviver a Damasco
Gibraltar ou Tijuana
ao colo do meu filho por nascer

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Poetas bipolares/Bipolar poets

Os Poetas bipolares
Acordavam como ditirambos
e encostavam a barriga às janelas
alucinadas e sabiam
que podiam fazer voar
as palavras certas
àquela hora antes da sessão
de choro compulsivo

Ao pequeno almoço
subiam para as mesas
com os sapatos cheios de verniz
e saltavam como peixes
a lançar cordas ao pescoço
de quem estava próximo
e escreviam com a urgência
de quem inspira uma piedade
próxima da rejeição

Havia alguns que começavam por explicar
os seus poemas e faziam teses
que se confundiam com literatura
embrulhada em papel de jornal antigo
e que era várias vezes superior
ao lugar ausente da poesia

E aqueles mais reservados
que acordavam pela tarde
e começavam a descrever
posições extremas enquanto
mostravam muito a palma das mãos
seguidas e diziam
– Vês o futuro, o futuro
está nas minhas mãos

Queriam tomar sempre a palavra
e depois pediam desculpa pelo incómodo
mas continuavam com a palavra pelas salas
e corredores adentro até asfixiarem
todos os lugares de desespero

E as camareiras cheias de cuidados
intensivos cuidavam da roupa
e da limpeza interior dos poetas
alisavam os vincos e as imperfeições
nos versos mais expostos
resolviam qualquer obstrução formal
e ditavam-lhes palavras limpas ao ouvido

Depuravam os lugares inúteis
abriam as portas dos quartos
sopravam as velas se eles adormeciam
com a cabeça encostada a uma ilustração
ou a outras ideias incandescentes
e tiravam notas do que eles diziam
no meio de algum sono agitado
ainda com os sapatos calçados

Os poetas bipolares reuniam-se
à noite o mais individualmente possível
e transpiravam com o próprio tédio
nas varandas estreitas dos seus quartos
enquanto outros desciam às caves
dos condomínios para espreitar
os músculos basculantes
que suportavam os edifícios culturais
e encontravam inspirações genuínas
cheias de um fulgor que os abraçava
por dentro como uma marca de águia
subterrânea prestes a erguer as asas

E depois continuavam a escavar
de olhos semicerrados e luzes apagadas
vinculados a uma ideia de fundo garantido
até chegarem a uma poesia sem linguagem
nem comunicação com a palavra

(Skopje, Setembro de 2009)
Publicado na Revista Ítaca

 

skopje

Bipolar poets

They wake up with dithyrambs
and lean their bellies against hallucinated
windows and know
they can make
the right words fly
just before the compulsive
crying session

At breakfast
they stand on tables
with their fully patented leather shoes
and jump up like fish
throwing ropes around the neck
of whoever is nearest
and write with the urgency
of those who inspire compassion
close to rejection

There are some who start by explaining
their poems and write theses
mistaken for literature
wrapped up in an old newspaper
several notches better
than the absent place of poetry

And the most reserved ones
who wake up in the afternoon
and start to describe
extreme positions while
repeatedly showing the palms of their hands saying
– Can you see the future
the future is in my hands

They always want to take the floor
and then apologise for it
but they carry their words through rooms
and corridors till they smother
all despairing places
And the staff full of intensive
care look after the poets’
clothes and internal hygiene
smoothing wrinkles and imperfections
out of the most exposed verse
resolving any formal obstruction
and whispering clean words in their ears

They expurgate the useless spots
open the bedroom doors
blow out the candles if the poets go to sleep
with their heads leaning on pictures
or on other incandescent ideas
and take note of the poets’ words
during their agitated rest
with their shoes still on

Some bipolar poets gather
at night in the most individual way
and sweat in their own tedium
on the narrow balconies of their rooms
while others go down to the cellars
of the buildings to spy
on the flexible muscles
which support the cultural constructions
in which they find genuine inspiration
full of an inner all embracing sparkle
as if it were a type of underground
eagle ready to lift its wings

And then they go on digging
eyes half-closed in the dark
devoted to a guaranteed-profit plan
till they reach a poetry without language
or connection with the word
© Translated by Ana Hudson, 2012

 

skopje urso

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Lançamento dia 19 de Dezembro na Casa de Teatro de Sintra

Peças de teatro infantil

Peças de teatro infantil

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Revista LER, Outubro de 2013

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Uma peça de teatro num festival em Barcelona

El dret a la revolta, Tiago Patrício

Tiago Patrício neix a Funchal, Portugal, el 1979. És llicenciat en farmàcia i actualment cursa un màster de literatura a la Universitat de Lisboa.

És poeta, novel·lista i dramaturg.  És autor de les peces teatrals  Checoslováquia i Utopia TM, i ha dirigit l’espectacle Arriscar a Pele amb un grup de reclusos de la Presó Central, a prop de Lisboa. El 2012 va ser seleccionat per a una residència al Writers OMI at Ledig House (Nova York) i, gràcies al programa de la Unió Europea m4M, va gaudir d’una altra residència a Latvia, amb SERDE. El 2011 la seva novel·la Trás-os-Montes va guanyar el Premi Casino Estoril-AgustinaBessa-Luís i la seva obra Checoslováquia es va representar al Teatre Nacional D. Maria II de Lisboa.

(Traducció al català de Susanna Ramos)

Fotografias da leitura encenada da peça (Créditos Fotográficos – Nani Pujol)

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Lectura dels textos dels autors internacionals participants en aquest seminari.
Direcció: Marc Martínez
Amb els actors de la Companyia Resident de l’Obrador d’estiu: Álvaro Cervantes,
Alba Florejachs, Àngela Jové, Gemma Julià, Pep Miràs, José Pérez,
Joan Raja i Mariona Ribas
Ajudant de direcció: Laia Falp

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Grupo de dramaturgos com o autor inglês Simon Stephens

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Vanessa Emde (Alemanya),Simon Grangeat (França), Diana I. Luque (Espanya),
Sami Özbudak (Turquia), Tiago Patrício (Portugal), Lou Ramsden (Anglaterra),
Jibbe Willems (Holanda), Anna Wojnarowska (Polònia),
Maximiliano Xicart (Uruguai) i Joan Yago (Catalunya).
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